Em muitas das nossas enquetes, treinamentos e workshops, sempre se revela como prioridade de interesse entre os students a abordagem sobre o ‘medo de falar em público’.
Nesse breve spotlight, abordamos brevemente dois aspectos altamente relevantes que pesam sobre o jovem orador, causando sensação de temor e anseio na prática da oratória e, muitas vezes, angústia diante do público.
O primeiro deles decorre dos efeitos físicos perceptíveis quando a pessoa se põe a falar. São as mãos frias e gélidas, as pernas e braços trêmulos, o coração disparado e o peito apertado, a garganta comprimida e a boca seca.
Tais efeitos, percebidos por quem inova na oratória, comumente são taxados de ‘reflexos ou consequências do medo de falar em público’, quando, em verdade, são decorrências naturais dos nossos mecanismos orgânicos protetivos, especialmente decorrentes da descarca de adrenalina provocada por nossa glândula supra-renal, que concentram nosso sangue em zonas vitais prioritárias, aceleram nossas frequências cardíaca e respiratória, aumentam nossa pressão arterial, entre outros fatores.
Tais fenômenos bionaturais têm o condão e a finalidade de, em instantes de tensão ou perigo, deixar-nos mais atentos, mais aptos a respostas rápidas, mais focados, mais fortes e mais velozes. São, portanto, respostas orgânicas que a nossa natureza humana nos oferece, por herança genética milenar, para o enfrentamento de situações de tensão e perigo, como dissemos acima.
Cumpre, pois, ao tomarmos ciência disso, não nos impactarmos e, compreendendo a naturalidade e a natureza desses fenômenos, permitir que eles discorram sobre nós nos instantes iniciais de nossa fala pois, com algums brever minutos promovendo a oratória, a sensação de perigo se reduz e o processo hormonal se estabiliza, operando então a nosso favor, mantendo a mente alerta, focada, as respostas suficientemente rápidas, sem, contudo, comprometer nossa linguagem corporal com o tremos de mãos e pernas, com o suor excessivo, com a secura da boca.
Mais profundo que isso, entretanto, é o manejo dos aspectos inconscientes relativos à nossa lide com as nossas necessidades de aprovação alheia.
Estas, ao contrário do que pensamos, não estão na crista dos nossos discursos, mas sim, ou ao menos muitas vezes, no âmago do nosso inconsciente, decorrendo de situações pretéritas de semelhante reprovação.
Seja um ato de bulling, um momento de choça, feita por um grupo de amigos ou familiares que não respeitou a inocência de uma brincadeira sua, seja um amor não correspondido. Qualquer que tenha sido a forma como você tenha sido rejeitado ou rejeitara, e que tenha te ferido, está aí dentro de você, a te dizer da tua incapacidade, da tua falha, do teu defeito.
E hoje, adulto ou adulta, ao se levantar numa situação de oratória, o que você vé é a oportunidade de repetição daquela dor, daquela reprovação quando, em verdade, toda realidade é outra.
Compreenda que seu passado ficou lá atrás. E que hoje, ao por-se de pé para falar, seu ouvinte quer ouvir o que há dentro de VOCÊ, quer saber a SUA verdade, o SEU conhecimento, as SUAS razões, a SUA percepção e o SEU enfoque sobre o tema.
O interesse dele não é te reprovar. Ele nem se importa contigo o suficiente pra isso.
O que ele quer é a SUA fala.
Portanto, ESQUEÇA as reprovações pelas quais passou. Elas passaram também, com o tempo.
O seu tempo é o tempo de agora.
É o tempo da franqueza.
É o tempo da transparência.
É o tempo da sua verdade mais atual.
Um fraterno abraço e estejam com. Deus!
