Quanto carregamos em nós, de cada um por cuja justiça na morte empenhamos o tempo, o estudo e a saúde por toda uma vida?
Jamais deixou de me latejar a pele, descrever a morte pelo fio de uma faca ou de um punhal. Jamais deixei de sentir o impacto da bala no peito, quando os murros na mesa que me lesionavam as falanges ilustravam sonoramente os tiros fatais dados pelo assassino.
Mas nada se compara, e nunca comparou, a descrever e ilustrar as mãos agonizantes da vítima a tentar desesperada e inutilmente desfazer o laço estrangulador que, pouco a pouco, lhe mata por agonia, por desespero, por pavor.
Mais de duas décadas não adiantaram pra eu me acostumar com isso. E ainda, depois de cada ilustração corpórea dessas, que é tão visceral como se o laço estivesse ali, de verdade, o pulso testa o coração, enquanto o equilíbrio necessário à retomada do discurso testa a mente.
Trabalho encerrado.
O resultado não divulgo. Pertence à sociedade.
Agora é tempo de oração.
E nada mais.
A asfixia por estrangulamento e a representação da agonia da vítima no Plenário do Júri.
